Às vezes, o problema não é falta de determinação ou força de vontade. É que você ainda não consegue enxergar um caminho possível.
Existe uma frase atribuída a Henry Ford que diz:
“Se você acha que pode, pode. Se você acha que não pode, não pode. De qualquer maneira você está sempre certo.”
É uma frase interessante.
Mas ela também me faz pensar em uma coisa:
Como achar que pode quando você acha que não pode?
Porque dizer para alguém “acredite que você consegue” é fácil.
Difícil é fazer isso quando, por dentro, você realmente acredita que não consegue.
E talvez seja justamente aí que esteja uma parte importante da questão.
Quando você já fez antes
Imagine que você precise fazer alguma coisa que já fez anteriormente.
Talvez não tenha sido fácil.
Talvez tenha dado trabalho.
Mas você fez.
Isso cria uma referência.
Você já sabe, pela própria experiência, que aquilo é possível.
Pode ser necessário fazer alguma adaptação.
Pode ser que as circunstâncias tenham mudado.
Mas o caminho não é completamente desconhecido.
Por isso, fica mais fácil imaginar-se conseguindo novamente.
E quando você consegue se ver fazendo alguma coisa, pode ficar mais fácil começar a fazer.
Não é que você tenha uma certeza absoluta de que tudo dará certo.
Mas é porque existe uma experiência anterior mostrando que é possível.
E quando você nunca fez nada parecido?
A situação muda bastante.
Você não tem uma experiência anterior para usar como referência.
Não sabe exatamente como fazer.
Talvez nem consiga imaginar como seria chegar ao resultado.
Nesse caso, pode ser muito mais útil pesquisar, descobrir e encontrar modelos.
Procure quem já fez algo parecido.
Veja como essas pessoas fizeram.
Observe os caminhos que utilizaram.
Descubra o que você ainda não sabe.
A partir daí, você pode criar um plano.
E então começar a seguir esse plano.
Não precisa ser um plano perfeito.
Você pode fazer uma tentativa, observar o que acontece e fazer os ajustes necessários.
Nesse caso, talvez a confiança não precise vir antes da ação.
Ela pode ser construída durante o processo.
Mas existe uma situação ainda mais complicada
É quando você já tentou várias vezes e não conseguiu.
Nesse caso, você não está diante de algo desconhecido.
Você tem experiência.
O problema é que a experiência não foi boa.
Você tentou.
Não deu certo.
Tentou novamente.
Também não deu certo.
Depois de algumas experiências assim, é natural que apareça um pensamento:
“Eu já tentei antes. Por que agora seria diferente?”
E isso pode se transformar em um obstáculo muito maior do que a própria dificuldade da tarefa.
Quando o passado começa a comandar o futuro
Uma experiência passada pode ser uma informação importante.
Mas ela também pode se transformar em uma espécie de previsão – ou profecia…
“Foi assim antes. Portanto, será assim novamente.”
Só que uma nova tentativa nunca é exatamente igual à anterior.
Você pode ter aprendido alguma coisa.
Pode ter descoberto um erro.
Pode ter encontrado uma nova maneira de fazer.
Pode conhecer agora um recurso que não conhecia antes.
Ou simplesmente estar em uma situação diferente.
Por isso, talvez seja interessante separar duas coisas:
“Eu tentei e não consegui.”
é uma descrição do que aconteceu.
Já:
“Eu tentei e não consegui, portanto não vou conseguir.”
é uma conclusão sobre o futuro.
São coisas diferentes.
E existe também o componente emocional
Quando uma pessoa passa por várias experiências de fracasso, não fica apenas uma informação na memória.
Pode ficar também uma carga emocional.
Medo.
Frustração.
Vergonha.
Desânimo.
Sensação de incapacidade.
E, quando surge uma nova oportunidade, tudo isso pode voltar.
Às vezes, a pessoa nem percebe que está evitando uma nova tentativa.
Ela simplesmente começa a procrastinar.
Encontra outras coisas para fazer.
Adia.
Arranja uma justificativa.
Diz que ainda não é o momento.
Pode até continuar planejando indefinidamente.
Mas, no fundo, existe uma parte dela tentando evitar a possibilidade de experimentar novamente aquela sensação desagradável.
É aí que entra a limpeza emocional
Dentro da abordagem que utilizo no meu trabalho, uma possibilidade é trabalhar essa carga emocional associada às experiências anteriores por meio da limpeza emocional.
A intenção não é apagar o passado.
Nem dizer que aquilo não aconteceu.
O que aconteceu continua sendo parte da história.
A questão é outra:
será que essa lembrança ainda precisa ter a mesma força emocional que tinha antes?
Quando essa carga diminui, pode ficar mais fácil olhar novamente para a situação.
Não necessariamente porque o problema desapareceu.
Mas porque você consegue enxergá-lo com um pouco mais de liberdade.
E isso pode mudar a maneira de agir.
Você não precisa começar acreditando
Talvez essa seja a parte mais interessante de tudo isso.
Nós costumamos imaginar que primeiro precisamos acreditar que conseguimos.
Depois agimos.
Mas nem sempre funciona assim.
Às vezes, você começa com uma possibilidade muito menor:
“Talvez eu consiga tentar.”
Depois:
“Talvez eu consiga fazer a primeira parte.”
Depois você faz.
Observa.
Aprende.
Corrige.
Tenta novamente.
E, aos poucos, a própria experiência começa a produzir uma nova referência.
A confiança pode surgir como consequência.
Não necessariamente como ponto de partida.
Então, como achar que pode?
Talvez não seja preciso simplesmente “achar que pode”.
Talvez seja preciso descobrir por que você acha que não pode.
Você já fez algo parecido?
Então use essa experiência como referência.
Nunca fez?
Pesquise, encontre modelos e crie um plano.
Já tentou várias vezes e fracassou?
Talvez seja necessário olhar não apenas para a estratégia, mas também para o que essas experiências deixaram emocionalmente.
Depois disso, faça novamente.
Talvez de uma maneira diferente.
Talvez de um jeito mais simples.
Talvez com ajuda.
Talvez começando por uma parte pequena.
Mas faça.
Faça, refaça e aprenda.
Porque, muitas vezes, não é a certeza de que conseguimos que nos faz começar.
É o começar que nos dá novas experiências.
E novas experiências podem mudar aquilo que acreditamos ser possível.
Uma pergunta para você
Existe alguma coisa que você gostaria de fazer, mas está dizendo para si mesmo:
“Eu não consigo.”
Experimente olhar um pouco mais de perto.
Você já fez algo parecido?
Se nunca fez, será que poderia encontrar alguém ou algum modelo que mostre um caminho?
Ou você já tentou tantas vezes que acabou carregando para o presente a memória dos fracassos anteriores?
Talvez a pergunta mais útil não seja:
“Eu consigo?”
Talvez seja:
“O que precisaria acontecer para que eu pudesse tentar novamente?”
Essa pergunta abre um espaço diferente.
E, às vezes, é justamente nesse espaço que começa uma mudança.
Se você quiser olhar para isso com mais profundidade
É esse tipo de dificuldade que trabalho nos meus atendimentos individuais: situações em que a pessoa sabe, racionalmente, o que gostaria de fazer, mas alguma coisa parece impedi-la de avançar.
Pode ser procrastinação.
Pode ser medo.
Pode ser insegurança.
Pode ser uma dificuldade antiga que continua influenciando decisões atuais.
O trabalho começa procurando entender o que está realmente bloqueando o movimento.
A partir daí, buscamos maneiras de reduzir esse bloqueio e tornar possível dar os próximos passos.
Quer saber mais sobre meus atendimentos? Entre em contato.
